Nossa primeira adoção; nosso primeiro amor. Ela nos escolheu em 2019. Sim, essa é a palavra: "escolher". Porque, de fato, são eles que nos escolhem.
Mas , antes de falar do dia em que ela chegou, eu preciso falar de algo que aconteceu no ano anterior à sua chegada. No início de 2018, nós iniciamos um tratamento para ter outro filho. Nosso filho ia fazer 8 anos em julho de 2018. Em 2015 eu tinha engravidado e perdido. Isso deixou meu filho muito abalado, pois ele queria muito um irmão. Então, depois de 3 anos partimos para o tratamento. Estávamos felizes, imaginando nossa família crescendo. Nosso filho Benjamim também foi fruto de fertilização, depois de vários abortos e de descobrir que meu sistema imunológico "matava" meus embriões.
No dia da transferência dos embriões, fiquei sabendo que meu pai estava doente. E eu não queria contar pra ninguém sobre o tratamento. Foi tão difícil viver aquele momento! Meu pai foi internado e eu não podia dizer pra ninguém o porque de eu não puder ficar no hospital com ele. Meu pai teve alta, mas depois voltou para o hospital e foi internado na UTI. E,algum tempo depois, faleceu. A gente começa o ano achando que,no final daquele mesmo ano, vai estar celebrando o natal com toda sua família, com um novo bebê nos braços, vendo seu pai e sua mãe felizes com mais um neto. Ao invés disso, perdi meu pai e esse novo bebê. Por isso quis passar o natal bem longe de tudo que me lembrava meu pai ( que tanto gostava dessa data) e de tudo que me fazia pensar no filho que não nasceu, do irmão que Benjamim não pôde ter.
Mas, o que isso tem a ver com o assunto desse blog? E o que isso tem a ver com a Nicole?
Eu acredito profundamente que os felinos têm acesso ao mundo espiritual. E tive a certeza disso depois do que vivenciei no dia 20 de maio de 2019. Dia da chegada da Nicole às nossas vidas. Eu não parava de pensar no meu pai, nos irmãos do Benjamim que não nasceram. Eu pedia a Deus, ao menos, um último abraço. Do jeito que ele pudesse me dar isso.
Eu tinha acabado de estudar com meu filho. Era muito conteúdo, já era tarde: 10 da noite. E ele deveria deitar pra dormir logo. Mas ele inventou que queria descer pra andar de bicicleta. Ele nunca fazia isso. Eu disse "não", mas ,depois dele insistir, acabei concordando. Lá embaixo, meu filho passou por mim , na sua bicicleta, e eu fiquei enviando mensagens relacionadas à semana do celíaco ( eu era presidente da Acelbra, na época). De repente,senti algo encostar na minha perna. Olhei para baixo e vi um pequenino gatinho, em pé, com as patinhas na minha perna, como se pedisse para eu pegá-lo, como se fosse meu. Naquele momento, eu senti algo que até hoje não consigo explicar ; só criei hipóteses para isso, ao longo dos anos.Senti a presença do meu pai, senti a sensação do abraço dele. De forma racional não há como conceituar o que foi aquilo, não consigo. Só sei que a angústia que me acompanhava há tanto tempo foi sendo substituída por uma sensação de paz e felicidade intensas . Eu peguei aquele gatinho nos braços. Pouco tempo depois, meu filho retorna, desce da bicicleta e corre ao meu encontro. Pega o gatinho em seus braços e senta no chão, em lágrimas, dizendo que queria ele. Naquele momento ,eu senti o que estava acontecendo. O pedido incomum pra andar de bicicleta naquela hora. Aquilo foi uma resposta de Deus?Foi meu pai mandando pra mim e para o Benjamim o seu último abraço? Foi ele nos enviando um ser que nos traria muito amor?E até hoje é isso que esse gatinho ( que depois descobrimos ser uma gatinha), a Nicole, passa pra gente: muito amor. Ela nos olha com tanto amor!É impressionante que a gente consegue sentir isso no olhar dela!Eu nunca tinha contado isso pra ninguém. E escolhi esse espaço pra relatar isso que vivi.

Nicole é uma benção. Muito geniosa, mas uma benção.
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