Minha primeira postagem terá esse título "Theo", porque esse é o nome dado para o gatinho que me inspirou a criar esse blog . O nome não foi dado por mim porque eu mal conseguia pensar nisso quando me perguntaram o nome dele. Foi na clínica veterinária onde levei o Theo para ser internado . Ele não tinha um nome, ele não era meu gato. Na minha casa temos duas gatinhas resgatadas: Nicole e Hermione. O Theo apareceu no meu condomínio, numa tarde. Enquanto eu lia na área comum, o Theo passou, com a delicadeza e elegância que só um gato tem. Ele não parecia um gato de rua, aqueles que fogem dos humanos porque já sentiram na pele a crueldade da nossa espécie, aqueles que já trazem no corpo as marcas de uma vida na rua. Ele aceitava afagos, ele confiava, e talvez esse tenha sido seu erro: confiar.
Não foi apenas uma passagem rápida como acontecia com outros felinos que cruzavam o condomínio e seguiam para outros destinos. Theo ficou, como se não conhecesse outro lugar possível para estar. Por dias, o alimentei, filmei e fotografei. Divulguei de todas as formas e para várias pessoas, no intuito de conseguir alguém que adotasse. Moro num apartamento de 64 m2, com meu marido, um filho adolescente e duas gatinhas. Pra mim a conta já estava fechada, não teria mais como pegar um outro gatinho. Mas saber disso não me impedia de sofrer. Porque ele estava lá, todos os dias, e cada dia mais próximo de mim, cada dia mais necessitado de mim. Nesse tempo, descobri que outro senhor também alimentava o gatinho.E isso me deixou mais tranquila. Mais alguém se importava com aquela vidinha. Sabem, a nossa espécie se acha tão superior, tão mais merecedora de afeto e cuidados, que, pra mim, é sempre motivo de grande admiração quando encontro pessoas que se preocupam com a vida de outra espécie;principalmente quando se trata de um gato. Sim, esses animais são vítimas de muito preconceito. Frequentemente vejo pessoas se esquivando, virando a cara e, com toda certeza, essas pessoas acham que gente como eu é "abestada"por se preocupar com um gato, por dedicar tempo a um gato. Não sabem a beleza externa e interna que só um gato tem, o amor sincero e verdadeiro que esse ser tem por aqueles que ele escolhe. Porque, de fato, eles nos escolhem. E, se algum dia ,você foi escolhido por uma dessas criaturas, se sinta abençoado, porque isso significa que você é digno do amor mais verdadeiro que existe.
Entretanto, apesar de já ter minhas gatinhas, de ter crescido numa casa com muitos gatos, de ter passado por várias situações de amor e delicadeza envolvendo essas criaturinhas, de saber que existem pessoas que os amam , mas um grande número de gente que maltrata; mesmo assim, foi somente a história do Theo que me fez decidir criar esse blog. Talvez porque o Theo tenha me tocado tão profundamente como nunca aconteceu antes dele. O Theo me revelou ao mesmo tempo a podridão, o lado mais obscuro de uma pessoa, e a candura, a versão mais bela da nossa espécie.Através do Theo, eu vi as trevas, mas , a luz que ele me mostrou superou tudo e me deu a lição mais linda e forte. Por que estou dizendo isso? Porque aquele gatinho tão dócil foi ferido, provavelmente por alguém que se aproximou fingindo que daria carinho. Esse ser maligno tirou do Theo uma parte importante do seu corpinho: sua cauda. A cauda com a qual eles brincam quando filhotes, a cauda que é um dos elementos de comunicação dos felinos. Foi um momento de muita dor quando o vi quase totalmente sem cauda, ferido, certamente sentindo muita dor, mas, ainda assim, miando com a mesma doçura, esfregando- se em mim com o mesmo carinho, como se não tivesse sido vítima de uma das atitudes mais covardes desse mundo. E foi aí que ele se tornou o Theo. Depois de chorar tudo que pude, eu decidi que iria levá-lo para uma clínica veterinária. Eu pensei como isso sairia caro, eu pensei que desejo muito pagar um intercâmbio pro meu filho, que nosso apartamento ainda é financiado, que meu filho acabou de colocar um aparelho ortodôntico, que reajuste ainda não veio esse ano. Tenho filho, por isso preciso pensar. Mas ,como negar uma chance para um ser ferido, que, mesmo depois de ter sofrido o mais cruel dos atos, ainda confiava no ser humano? Como eu poderia deixar ele sentindo dor daquele jeito?
Então, apesar de todas as minhas necessidades e da minha família, eu cheguei com aquele gatinho na clínica veterinária. E , quando me perguntaram o nome, eu não sabia dizer. Eu nunca ousei pensar em um nome pra ele, porque ele não poderia ser meu. Até que uma garotinha na sala de espera olhou pra ele e me disse:" ele tem cara de Theo". E assim nasceu o Theo. E o Theo encantou todo mundo na clínica. Ele "amassava pãozinho" ( atitude de gato feliz), ele mostrava a barriguinha ( atitude de gato que tem confiança). E isso te desmonta, porque ele tinha tudo pra não estar feliz, ele tinha tudo pra não confiar.
E, finalmente, o Theo me mostrou que a confiança dele vinha do fato de que também existem seres humanos cheios de luz e que enxergar isso é qualidade dos felinos. E, foi por causa dele que conheci muitas pessoas assim. Uma delas foi o Agustín ( que conheceu a história do Theo 3 dias depois da internação) e simplesmente disse que a partir de então pagaria tudo que ele precisasse. E seria muita coisa, porque ele precisava de cirurgia. A outra foi a Jana ,que ofereceu um lar temporário pro Theo depois que saiu da clínica, mesmo com todas as dificuldades que isso traria pra ela. A Cleudene que criou uma campanha no Instagram dela pra conseguir doações ( pois só no primeiro dia de clínica eu tinha passado quase R$ 800,00 no cartão de crédito. Cleudene também pagou o RX de R$ 270,00. Essas são pessoas que eu não conhecia. Várias outras que eu já conhecia também se mobilizaram. Eu não acreditava que estava recebendo tanta ajuda. Por fim, era isso que o Theo sabia o tempo todo. Esse gatinho especial, nunca expressou nada além de amor, mesmo com tanta dor que deve ter sentido. E o final dessa história é que ele será meu. Eu falhei com ele uma vez por não perceber que eu poderia ,sim ,abrir espaço pra mais um, por não perceber que ele tinha vindo pra mim. Tenho fé que Deus vai me permitir pagar o intercâmbio do meu filho e ser também a mãe humana de mais um gatinho.
Nas próximas postagens eu vou falar sobre o bem que esses seres fazem em nossas vidas e te pedir para fazer a sua parte para evitar o sofrimento de tantos.

Pense numa criatura maravilhosa. Que Deus continue contigo. Theozinho.
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